
me vejo no teu olho, onde
meu olho reflete
o teu rosto, numa pintura branca
do rastro do feixe
da luz que percorre
teu rosto.
e reflete no teu olho,
que às vezes parece-me-te morto,
perdida, olhando o vazio adentro,
perpetuando o limbo no mofo,
insistindo, como todos a
continuar somente
mofando.
por qual razão eu tive
o azar de me encantar com este olho?pois
ele me parece frouxo e em vão!
sem dúvida é pelo brilho
que lhe aparece quando olha
ao meu. será o meu olho
que lhe incita a brilhar,
me puxando, me amortecendo, testando?
o teu rosto ferve - meu peito encostado ao seu
um coração bate único, me confundo - te mordo
não sei se é o meu, correndo, neurótico.
2
esta que se perfila na sobra
que estala o som na sombra
ou que desliza macia na tarde
não é a mesma que domina a mente
do corpo desta musa.
quem é então, se não um reflexo
um vento, um pó?
um sonho, meu.
esta a quem dedico as letras
não é a mesma que lerá as mesmas
é outra, minha, que beijei em sonho
numa noite perdida.
de que me adiante correr atrás desta
se ela está em mim?
está contida onde?
atrás de uma cortina vermelha e grossa,
que se abre atrás de um arbusto
num bosque obscuro?
é um demônio do meu sonho
um demônio macio...